Da Odontologia à Terapia Ocupacional: Por Que a Minha Transição é, na Verdade, a Integração Definitiva do Cuidado 🦷🧩
Com frequência, quando compartilho a minha trajetória como cirurgião-dentista e o meu ingresso na formação em Terapia Ocupacional, a primeira reação que escuto é de surpresa: "Mas o que a Odontologia tem a ver com a Terapia Ocupacional?" ou "Vai largar a Odontologia?" . Para quem enxerga a saúde em caixas isoladas, este caminho pode parecer uma mudança radical de rota. No entanto, para quem vivencia a prática clínica real e compreende a complexidade do ser humano, esta jornada nunca foi sobre abandono: é sobre expansão, síntese científica e integração. A Odontologia conferiu-me a precisão técnica, a compreensão cirúrgica, o manejo tecidual e o domínio da dor. Mas a vivência clínica diária — especialmente no acolhimento de pessoas com deficiência, crianças no espectro autista, idosos com declínio cognitivo e pacientes com disfunções temporomandibulares (DTM) ou dores orofaciais crónicas — ensinou-me que a cavidade oral não existe de forma isolada. A boca pertence a ...