Com frequência, quando compartilho a minha trajetória como cirurgião-dentista e o meu ingresso na formação em Terapia Ocupacional, a primeira reação que escuto é de surpresa: "Mas o que a Odontologia tem a ver com a Terapia Ocupacional?" ou "Vai largar a Odontologia?" . Para quem enxerga a saúde em caixas isoladas, este caminho pode parecer uma mudança radical de rota. No entanto, para quem vivencia a prática clínica real e compreende a complexidade do ser humano, esta jornada nunca foi sobre abandono: é sobre expansão, síntese científica e integração. A Odontologia conferiu-me a precisão técnica, a compreensão cirúrgica, o manejo tecidual e o domínio da dor. Mas a vivência clínica diária — especialmente no acolhimento de pessoas com deficiência, crianças no espectro autista, idosos com declínio cognitivo e pacientes com disfunções temporomandibulares (DTM) ou dores orofaciais crónicas — ensinou-me que a cavidade oral não existe de forma isolada. A boca pertence a ...
Às vezes a gente cruza com algo na vida que simplesmente muda o rumo de tudo. Descobrir a Terapia Ocupacional foi exatamente isso para mim: a melhor descoberta da minha existência. Não é só uma profissão bonita. É uma ciência viva que enxerga o ser humano onde quase ninguém olha, valorizando o detalhe do cotidiano, a autonomia e o direito fundamental de pertencer e viver com significado. Hoje o sentimento é de pura gratidão. Gratidão à Terapia Ocupacional por existir e por transformar tantas realidades. Gratidão a cada colega TO já formado, que atua na linha de frente com ética, sensibilidade e técnica nos hospitais, clínicas, escolas e comunidades. Gratidão aos estudantes de T.O., que trazem sangue novo, curiosidade e garra para continuar construindo o futuro da nossa área. E um obrigado muito especial a cada um de vocês que acompanha este espaço: seguidores, pacientes, famílias e pessoas que acreditam no valor do nosso trabalho. Cada curtida, comentário, troca de experiência e conve...